O granizo pode causar danos graves em questão de minutos. Veículos, telhados, painéis solares e empresas podem ser diretamente afetados, causando prejuízos significativos que nem sempre são devidamente refletidos na primeira avaliação do seguro.
Embora muitas pessoas não saibam, o granizo não é um risco extraordinário, pelo que não é coberto pelo Consórcio de Compensação de Seguros. Trata-se de um risco comum que, na maioria dos casos, deve ser assumido pela seguradora privada, desde que esteja incluído na apólice.
O problema geralmente não é a cobertura, mas a avaliação dos danos.
Quem paga os danos causados pelo granizo?
Os danos causados pelo granizo são cobertos, em geral, pela seguradora privada do seguro residencial, comercial, industrial ou automóvel.
O Consórcio só intervém em riscos extraordinários, como inundações, terramotos ou erupções vulcânicas, conforme indicado pela própria entidade:
Consórcio de Compensação de Seguros
Portanto, em caso de sinistro causado por granizo, o importante não é quem paga, mas como os danos são avaliados.
O grande problema: perícias rápidas e danos subestimados
Em muitos sinistros causados por granizo, repete-se o mesmo padrão:
- Peritagens rápidas
- Danos visíveis tratados como «estéticos»
- Itens não contemplados
- Reparações parciais que não devolvem o bem ao seu estado original
Isso resulta em indenizações que não permitem uma recuperação real, especialmente em ativos sensíveis, como painéis solares ou coberturas.
Granizo e painéis solares: os danos que nem sempre se vêem
Os painéis solares são especialmente vulneráveis ao granizo.
Embora à primeira vista possam parecer intactas, é frequente encontrar:
- Microfissuras nos painéis
- Perda de rendimento
- Risco de falha prematura
- Redução da vida útil do sistema
Em muitos casos, o seguro avalia apenas os danos visíveis, ignorando o impacto técnico e económico a médio prazo.
Nesses casos, uma substituição parcial pode não ser suficiente.
Granizo em telhados e coberturas
Os danos em telhados e coberturas são frequentemente subestimados porque:
- A ruptura imediata nem sempre é visível.
- As fugas de informação surgem meses depois
- A resistência do material é reduzida
Uma reparação pontual nem sempre deixa a cobertura no mesmo estado em que se encontrava antes do sinistro, algo que deve ser refletido na indemnização.
Danos causados pelo granizo em empresas
Em armazéns e estabelecimentos comerciais, o granizo pode afetar:
- Coberturas
- Instalações elétricas
- Maquinaria
- Atividade do negócio
Quando os danos impedem a continuação da atividade, a indemnização não deve limitar-se à reparação material, mas também contemplar o impacto económico real.
Quando convém rever a avaliação do seguro
É recomendável rever a indemnização quando:
- A reparação proposta não devolve o bem ao seu estado original.
- Não se tem conhecimento de danos técnicos ou ocultos.
- O montante não permite retomar a atividade
- Soluções parciais são propostas para ativos críticos
Muitos casos inicialmente encerrados podem ser reabertos com uma abordagem técnica adequada.
Conclusão
O granizo geralmente é coberto pelo seguro, mas isso não garante uma indenização justa.
A diferença entre uma reparação insuficiente e uma recuperação real reside geralmente no seguinte:
- como se analisa o dano
- quais itens estão incluídos
- e como se defende a reclamação
Se, após um sinistro causado por granizo, a avaliação do seguro não permitir recuperar a sua habitação, a sua instalação solar ou o seu negócio, é aconselhável informar-se antes de aceitar.

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